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Sergio Rodrigues
Sobre
Carioca, Sergio Rodrigues é considerado o criador do móvel moderno brasileiro. Filho do artista plástico Roberto Rodrigues, herdou do pai o talento para o desenho e, ainda menino, descobriu a paixão pela madeira. Arquiteto de formação, dedicou seis décadas ao design de mobiliário e à arquitetura, sempre em busca de algo que ele mesmo resumia numa frase: “É o espírito brasileiro.”
Em 1955 fundou em Ipanema a Oca, que era ao mesmo tempo loja, galeria e laboratório de ideias. O nome evocava a simplicidade da casa indígena, e foi pela Oca que saiu boa parte do mobiliário da recém-criada Brasília. Nessa época, seus móveis rompiam com a formalidade dos assentos retos e antecipavam a informalidade que logo tomaria conta das casas brasileiras.
O maior símbolo dessa virada é a Poltrona Mole, de 1957. Tem estrutura robusta de madeira torneada, cintas de couro e almofadões generosos que lembram o conforto de uma rede. Em 1961 venceu o Concurso Internacional do Móvel de Cantù, na Itália, e passou a ser produzida e exportada com o nome de “Sheriff”. O jornalista Sérgio Augusto escreveu que nela não se senta, “refestela-se”. Hoje a Mole é lembrada entre as peças mais importantes do século XX e foi decisiva para colocar o design brasileiro no mapa do mundo.
Ao longo da carreira, Sergio desenhou mais de 1.200 projetos, a maioria cadeiras e poltronas. Entre eles estão o banco Mocho (1954), sua primeira criação, inspirado nos banquinhos de ordenhar, e as poltronas Oscar, Kilin e Diz, esta premiada pelo Museu da Casa Brasileira em 2006. A madeira maciça, o couro e a palhinha aparecem em formas generosas, de linhas arredondadas e muito acolhedoras.
Sergio trabalhou até o fim da vida e lançou em 2014 a poltrona Benjamin, batizada com o nome do neto caçula. Sua obra é preservada pelo Instituto Sergio Rodrigues, e ter uma peça sua em casa é ter um pedaço da história do design brasileiro, feito para ser usado e vivido.

